Malvados
Malvados é muito massa. Só não servem para conquistar a pessoa amada. Mas são engraçados. 

www.malvados.com.br
Escrito por Geraldo de Fraga às 18h40
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Conto Inédito
Esse conto postado aí embaixo faria parte do livro "Histórias que nos Sangram", mas foi barrado. O motivo? Ele ficou meio comédia e fugiu ao estilo do livro. Mauro Rossiter, grande amigo meu, leu essa história assim que ela foi escrita, há uns 7 anos atrás e gostou muito. Ficou, inclusive, meio puto pelo fato dela não ter entrado no livro. Enfim, resolvi publicá-la aqui. Histórias são podem ser abandonadas. Elas voltam pra você, de uma forma ou de outra. Essa voltou pra mim.
Escrito por Geraldo de Fraga às 15h38
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Língua de Cascavel - Parte 1
Língua de Cascavel "Tem certeza disso meu rapaz?", perguntou o velho Damião pela terceira vez. "Homem de Deus, eu não já lhe disse que sim?", esbravejou Fernando. Todos que estavam presentes no botequim riram tão alto que as gargalhadas puderam ser ouvidas até mesmo por quem passava pelo lado de fora do mercado de São José. O dia ainda não havia raiado, era perto das 4 horas da madrugada. A maioria das lojas do mercado ainda estava fechada e com os corredores vazios qualquer barulho tomava grandes proporções. - Já estou bêbado mesmo. Que diferença irá fazer? – perguntou Fernando. Damião apenas sorriu. Fernando era de família rica, do interior do estado. Estava na cidade há 2 anos, estudando na Faculdade de Direito. Desde que chegara à capital começou a visitar o Mercado, acompanhado de seu colega de classe, Juliano. Viviam com as prostitutas que passavam por ali e bebendo pelos botecos da área. Num desses dias conheceu a bodega de Seu Damião e, como era um boêmio de primeira, escolheu o lugar para terminar as suas noitadas, jogando conversa fora com os outros fregueses da barraca. Fregueses que eram quase sempre os mesmos. Biu Marreco era o primeiro a chegar. Trabalhava de garçom num restaurante do centro da cidade. Depois de passar horas e horas servindo e paparicando a burguesia, a bodega de Seu Damião era ponto certo após largar do serviço. Quem também gostava de degustar a variedade da cachaçaria mais conhecida do bairro era seu Genaro, morador das redondezas. Um pobre velho solitário, cujos únicos amigos eram os bêbados do Mercado. Os outros fregueses eram comerciantes da área. Seu Damião puxou uma garrafa de "Sargetinho", segundo ele uma cachaça especial vinda do Pará, e serviu uma dose a Fernando. Para mostrar firmeza, o rapaz pegou o copo e virou para dentro da goela. Segurou-se para não fazer careta, esperou o ardor passar e aproveitou para se mostrar. "Muito fraca!", disse com um pouco de lágrimas nos olhos. - Isso nem parece cachaça – completou. - Quer mais uma dose? – perguntou Seu Damião. - Daqui a pouco. Agora eu gostaria apenas de uma porção de queijo coalho. - Sim senhor – respondeu o velho. Fernando seguiu em direção a mesa, onde já se encontrava Juliano, seu fiel companheiro de farra, já bêbado. Sacudiu o amigo, tentando acordá-lo. "Se continuar a me balançar vou vomitar em cima de você", sentenciou Juliano. Diante da ameaça, Fernando achou melhor ficar quieto. Neste instante, Biu Marreco achou por bem puxar conversa. Fernando adorava quando isso acontecia. Ele não perdia uma chance de contar vantagem para os fregueses da bodega. - E então meu rapaz? Onde estivesse esta noite? - Meu caro Biu, sente-se aqui do meu lado – convidou Fernando. O jovem fez questão de ressaltar o estado etílico de Juliano que já começava a soluçar. Depois que Biu sentou-se, começou a tagarelar, fazendo questão de aumentar o tom de voz, afim de que todos o escutassem. “Essa noite eu e meu amigo Juliano fomos convidados a um baile, na residência do doutor Rubens Mendes. Um belo casarão na avenida Rosa e Silva. Estavam presentes várias personalidades da sociedade e lógico, as mais belas senhoritas da alta classe. Logo que cheguei, uma já se engraçou comigo. Como vocês sabem, o galanteio é um dos meus aparatos mais fortes. Pois bem, estava eu lá flertando com a linda donzela, quando de repente um sujeito muito desagradável entrou em cena. Era um homem forte, com quase dois metros de altura, vestia uma capa preta comprida. Logo que entrou no salão, notei que trazia um imenso facão por debaixo da capa. E o seu rosto? Seu rosto era horrendo. Tinha uma cicatriz que ia da sobrancelha direita até perto do queixo. Tinha os cabelos longos e de cor preta. E aquele homem ficou ainda mais detestável quando o vi se aproximando da senhorita que eu estava olhando. Ah, aquilo me enfureceu.” Fernado já estava de pé, gesticulando e encenando a história como um ator. - Quando notei que ela tentava afastá-lo e ele insistia em puxar a sua mão, eu tomei suas dores. Fui em direção a ele e gritei para que a deixasse em paz. Então, ele se virou rapidamente e ao encará-lo notei que ele tinha sangue no olhar. Fiquei a espera do ataque e o infeliz nem hesitou em puxar o seu facão. Era uma arma enorme e a ponta do cabo tinha o formato de uma caveira. Fiquei na espreita esperando meu oponente deferir o golpe e então, quando ele o fez, rápido como um coelho, pulei para o lado e me desviei. Foi aí então que dei o golpe final. Acertei-lhe um soco bem no meio da testa. O sujeito caiu duro no chão. Os pais da donzela ficaram muito agradecidos e me convidaram para jantar em sua casa neste fim de semana. - E o que aconteceu com o homem do facão? – perguntou Biu - Não sei. Só vi quando ele foi carregado pelos empregados do doutor. Essa hora deve estar no xilindró – respondeu Fernando. O velho sentado no canto da bodega ouviu toda a história, mas após seu final deu às costas.
Escrito por Geraldo de Fraga às 15h31
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Língua de Cascavel - Parte 2
- Isso é muita mentira para uma noite só – resmungou ele. - Mas o que é que é isso, seu Genaro? Duvidas da palavra de um amigo? – perguntou o jovem com um sorriso no rosto. - Tu não é meu amigo cabra safado. Tu é muito do mentiroso – retrucou o velho. – Onde já se viu? Um homem vestido desse jeito e ainda por cima armado, conseguir entrar numa festa de gente rica – completou. - Vai ver ele pulou o muro – falou Biu. - Deixa de ser ignorante, rapaz. Vais cair numa conversa dessa? – Irritou-se ainda mais o velho. - Eu também não apostaria meus réis nesta história não – atirou do outro lado Seu Damião. - Mas será possível? Até mesmo meu amigo Damião duvida de minha integridade? – Disse Fernando. - Se queres provar tua coragem então aproxima-se aqui do balcão - disse o velho. Damião se virou e pegou uma garrafa que estava em uma de suas prateleiras. A garrafa não tinha rótulo e continha uma coisa dentro, que despertou a atenção de todos. - Que fiapo é esse aí dentro? – perguntou Biu, o primeiro a se aproximar do balcão. - É língua de cascavel. Mas não se preocupe, não tem veneno. - respondeu o velho, enquanto colocava uma dose num pequeno copo. – E para quem enfrentou um homem de dois metros de altura e armado com um facão, uma lapadinha de minha cachaça mais especial é tarefa fácil. Não é Fernando? - Não sei o que estás querendo com isso, meu amigo. Mas se o assunto é cachaça, sabes muito bem que não me afrouxo – afirmou o jovem, com um sorriso amarelo. O rapaz segurou o pequeno copo e bebeu tudo de um gole só. Desta vez sem esboçar careta alguma. - O que é isso? Essa é até mais fraca do que a outra. Parece garapa – ironizou. Damião apenas sorriu. Fernando voltou à mesa, junto com Biu, e cochichou em seu ouvido: - Essa eu não entendi – comentou o jovem. - Sabe o que acho? Eu... Quando Biu ia expressar sua opinião a respeito do ocorrido, foi interrompido pelo grito de um homem que acabara de entrar na velha bodega. "Me sirva uma cachaça, por favor meu bom homem", disse a Damião. "Hoje eu tive uma noite horrível", completou. Naquela hora, todos que estavam ali se voltaram para Fernando. E não era por menos. O homem tinha as mesmas características descritas pelo jovem estudante. "Hoje eu passei pela maior humilhação de minha vida. Ah, se eu vejo esse infeliz de novo na minha frente. Dessa vez ele ia ver. Se eu pego, eu o capo", esbravejava o homem que havia puxado um banco e agora estava sentado próximo ao balcão. - Fernando, não foi esse cabra que tu deu um cacete? – perguntou Biu. - Não – respondeu Fernando, que já se encontrava gago. - Mas é igualzinho ao que tu falou, até a capa e a cicatriz no meio da fuça. - Mas não pode ser... - Por quê? - Por que aquela história que eu contei era mentira. Eu não fui à festa nenhuma, nem briguei com ninguém. Eu estava era lá no bordel. - Mas ele tá falando aí de um rapaz, não é você não? - Deve de ser outra pessoa. "Pois eu estou lhe dizendo, meu amigo. Se eu encontrar esse rapaz mais uma vez, eu arranco-lhe as tripas com uma facada só", continuou o homem com seu acesso de raiva. Enquanto isso os fregueses do botequim, assustados, não tiravam os olhos de Fernando. O único que parecia calmo era Damião. Ficava quieto só prestando atenção no que o homem falava. Seu Genaro, esse sim, estava de queixo caído. Nunca imaginaria que aquela história fosse verdade. Começou a sentir orgulho do seu jovem amigo. Com um sorriso no rosto, olhou para Fernando. Esse já não entendia mais nada. Tudo que ele havia falado era mentira, mas a figura daquele homem era a mesma que ele havia imaginado enquanto contava a história. - Fernando, não é por nada não, mas eu acho bom tu ir embora – aconselhou Biu, em voz baixa. - Bem que eu queria. Mas e Juliano? Não consegue nem se levantar. Seu Genaro resolveu então se pronunciar e levantou-se de sua cadeira. "Cala tua boca, infeliz. Aqui a gente já conhece a tua fama de frouxo. Apanhasse do rapaz e agora queres contar vantagens", desabafou. O homem ficou enfurecido. "E digo mais: Você vai sair daqui é agora. E quem vai botar o senhor para fora é o mesmo sujeito que lhe derrubou antes. Fernando, bote este cabra pra correr", ordenou seu Genaro, olhando para o jovem Rapidamente o homem se virou a procura de seu oponente e assim que avistou Fernando, arregalou os olhos. E não é que é ele mesmo?
Escrito por Geraldo de Fraga às 15h31
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Língua de Cascavel - Parte 3
Fernando já estava paralisado de tanto medo. Biu, que estava ao seu lado na mesa, ficou mais duro do quê uma estátua. Entre eles, ainda dormindo, estava Juliano. O homem se aproximou, encarou Fernando de perto e desferiu um soco na mesa que derrubou todos os copos que estavam em cima dela. O único que se pronunciou de imediato foi Juliano. Levantou-se, ainda com um olhar de peixe morto, pronunciou algumas palavras que ninguém conseguiu entender e em seguida expeliu um jato de vômito, que foi cair justamente em cima do bandido. "Balança esse cacete não, rapaz", exclamou e em seguida caiu novamente no sono. E antes, que o homem tivesse alguma reação, Fernando virou a mesa por sobre ele, derrubando-o no chão. Fernando correu em direção à porta e saiu apavorado pelo corredor do mercado. Naquela hora o lugar já estava mais movimentado, por isso a quantidade de pessoas ali atrapalhou a sua fuga. Na primeira curva que apareceu, Fernando escorregou e caiu em cima de uma cesta cheia de camarões. Quando tentou se levantar, constatou que seu perseguidor já o havia lhe alcançado. Empunhava aquele mesmo facão com o cabo de caveira, que ele havia descrito em sua história. Estático de medo, a única coisa que pôde fazer foi fechar os olhos e esperar o pior. Não foi sua vida que passou diante dos seus olhos, foram todas as mentiras contadas naquele boteco. As moças que ele nunca namorou, os vilões que nunca derrotou, os feitos heróicos que nunca aconteceram. Todos os acontecimentos extraordinários da sua mente fértil invadiram seus pensamentos. Ele se encolheu por cima dos camarões e com os nervos contraídos esperou a facada. Mas ao invés do golpe mortal, levou foi um banho de água fedida na cara. - Sai de cima de minha mercadoria, bêbado filho da puta - gritava uma mulher gorda. Ainda assustado, Fernando se levantou olhando para os lados. Só aí ele percebeu que o seu algoz havia desaparecido. Sob o olhar de uma pequena multidão, que ria sem parar, saiu caminhando lentamente de volta para a bodega. Lá chegando, encontrou tudo normal. Ficou receoso de perguntar alguma coisa, já que ninguém parecia estar assustado como antes. - Ei rapaz, onde diabos fosse? – perguntou Biu. - Eu... O homem... - Que foi, menino? Olha, Damião, para de servir essas tuas bebidas para os rapazes. Tão comendo os juízos deles. - Cachaça...? – perguntou, ainda sem falar direito. - É! Tomasse uma lapada da língua de cascavel, pegasse no sono durante uns dez minutos, depois se levantasse e saísse correndo. - Língua... Cascavel...? - Rapaz, é melhor tu ir pra casa. Vai, leva teu amigo que ele já botou os bofes pra fora umas três vezes. Fernando levantou Juliano e caminhou em direção à saída. "Já vai tarde, mentiroso safado", resmungou Seu Genaro. Fernando mal deu atenção, ainda estava meio abestalhado. Quando já estava para sair, Seu Damião lhe chamou: - Fernando? - Oi? - Vai voltar amanhã, não vai? – perguntou sorrindo. - Acho que sim. Vou tentar. Demorou uns três meses, mas ele tomou coragem para voltar na bodega de seu Damião. Nunca comentou o assunto com ninguém, nem mesmo com Juliano. Na noite de seu retorno, Fernando encontrou a bodega mais movimentada do que o normal. Havia novos fregueses. Um deles, um rapaz bem vestido e de cabelo arrumado, estava em cima de um tamborete, contando uma história que todos os outros fregueses ouviam atentamente. Fernando só pegou o final da história, quando o narrador se gabava de ter, sozinho, derrotado três bandidos que o abordaram perto do cais. "Que coragem, meu rapaz. Isso merece um brinde. E por conta da casa.", ofereceu Seu Damião, já com a garrafa na mão. "O que é isso, aí dentro?", perguntou o rapaz. "Língua de cascavel. Chegue mais e tome um gole", convidou. O rapaz bebeu e retornou à mesa onde se encontravam seus amigos. Seu Damião voltou o olhar para Fernando e abriu um farto sorriso. O rapaz respondeu com um aceno de mão e foi embora. Se havia uma coisa que ele não queria fazer naquela noite, era beber.
Escrito por Geraldo de Fraga às 15h28
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Fato sobre a solidão
Fato sobre a solidão: Você torce para o final de semana passar logo.
Escrito por Geraldo de Fraga às 23h11
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HQ
Às vezes eu acho que Laerte lê meus pensamentos! 
Escrito por Geraldo de Fraga às 13h48
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Fato sobre a solidão
Fato sobre a solidão: Quando você começa a sonhar com a caixa de entrada do seu e-mail, você chegou ao fundo do poço.
Escrito por Geraldo de Fraga às 13h23
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