
Escrito por Geraldo de Fraga às 18h47
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Se eu vivesse num filme pornô
- Oi – disse ela, despindo-se. - Quem é você? – perguntei, enquanto ela tirava abaixava minhas calças. - Suelem – disse ela, me fazendo um boquete. – Vim lhe trazer uma encomenda – completou, enquanto tirava meu pau da boca por um segundo. - O meu é Danilo – me apresentei, esperando ela ficar de quatro no sofá da sala. - Danilo Ferraz? – perguntou ela, entre um gemido e outro. - Sim – respondi, enquanto a penetrava. - É você mesmo – disse ela, enquanto se virava na cama e assumia a posição clássica com as pernas abertas – Assine nas duas vias. - Tudo bem – gozei.
Escrito por Geraldo de Fraga às 17h16
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Sonhos que se quebram
Sexta-feira, 20 de março de 2009, 11h40 da noite. Cais de Santa Rita, bairro do Recife. Ônibus: Guabiraba (Córrego do Jenipapo) Hoje conheci Dedeco. Não conhece Dedeco? Ele já jogou no Náutico, Central, Centro Limoerense, Potiguar-RN, Paulista-SP e em vários outros times. Foi o que ele me disse. E eu acredito nele. Conheço um mentiroso logo de cara e Dedeco não é um. – Ganhei nome, só não ganhei dinheiro – diz ele. Agora é garçom do restaurante Picanha do Gaúcho, em Boa Viagem. – Na moral, eu queria um emprego que eu largasse às 7 da noite. Essa hora quando eu chego em casa o “urso” já deu conta do recado – brinca ele. – Nem tenho folga dia de domingo – reclama. Ele me diz que é amigo de um monte de jogador. Fala os podres de todos eles. Me explica porque uns deram certo e outros não. Mas e ele? Por quê não virou profissional? – É muita sacanagem. Pagam pouco pra quem esta começando. Preferi arrumar um emprego normal e sustentar minha família – confessa, com tristeza. Futebol para Dedeco, hoje em dia, só nas peladas do Campo da União, no bairro da Macaxeira. – Nem sei mais finalizar. Ontem chutei uma bola que passou longe. Os caras disseram: ôxe, esse não o Dedeco que conheço. A parada na qual vou descer está próxima. Me despeço de Dedeco e, com um aperto de mão, lhe desejo boa sorte. Quer seja no campo ou no restaurante. – A gente só tem o que Deus nos dá. Só espero que ele não seja injusto comigo – confessa. Eu também espero. Queria, um dia, gritar um gol de Dedeco.
Escrito por Geraldo de Fraga às 01h22
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Eu, zumbi ( 2 )
Todos olhavam para mim. De cima para baixo. Ninguém sorria. - Quer beber alguma coisa? – ofereceu o dono da festa. - Não bebo – respondi. - Nem água? – perguntou, sorrindo. - Não. Ele me encarou, desconfiado. Só então percebi que era uma piada. - Não bebo nada. Nem água. Não preciso. Sou zumbi. Estou morto, tecnicamente – eu disse. Falei muito rápido. Eu estava nervoso. Não sei se ele entendeu o que eu disse. Acho que não. Enfim, ele foi embora. Deixaram de olhar pra mim. Estavam todos olhando pra o outro lado da sala. Seria outro zumbi? Não. Estavam sorrindo, agora. - Estudei com esse cara – comentei para uma menina que estava ao meu lado. - Me apresenta? – pediu ela. - Não sei seu nome. - Você acabou de dizer que conhecia ele. - Estou dizendo que não sei o seu nome – apontei para ela. Ela sorriu. Depois riu. E, em seguida, gargalhou. Só então percebi que era uma piada. Eu era a piada. Fui embora. Antes de sair, enchi os bolsos de salgadinhos e cuspi nos brigadeiros.
Escrito por Geraldo de Fraga às 22h09
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Eu, zumbi ( 1 )
A entrevista acontecia em uma sala pequena e abafada. O ar-condicionado estava quebrado e não havia janelas. - Você é mesmo um zumbi? – perguntou a repórter, assim que abriu o bloco de anotações. - Sim – respondi. - Prove – disse ela, erguendo a sobrancelha direita. - O que quer que eu faça? – perguntei. - Não sei. Se transforme em morcego – pediu ela. - Sou zumbi, não vampiro. - Ah, desculpa – disse ela, mordendo a caneta. – Você é sempre zumbi, ou só quando é lua cheia? - Sou sempre. Essa história de lua cheia é com os lobisomens – falei. - E bala de prata? - Também. - Você tem partes do corpo que foram de outras pessoas? - Esse o Frankenstein, eu acho – respondi. Ela me olhou dos pés a cabeça. Não escondia a semblante de frustração. - Não me leve a mal... mas o que faz um zumbi? - Nada – falei. – Um zumbi é só um zumbi. Ela se levantou, pegou sua bolsa e foi embora sem falar comigo. - Eu só morro se levar um tiro na cabeça – gritei, assim que ela saiu. De nada adiantou. Ela não voltou. Nunca mais a vi.
Escrito por Geraldo de Fraga às 22h38
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O sacrifício dos gatos
Uma velha senhora que morava num casarão no centro do Recife costumava adotar todos os gatos sem donos da região. Qualquer felino que estivesse com fome, na chuva ou até mesmo doente no meio da rua, era acolhido por ela. Sabendo disso, até as pessoas que queriam se livrar de seus bichos de estimação jogavam os animais em sua casa. Mas ela nunca se importou. Tinha sempre um cantinho em seu lar para um novo gato. O antigo casarão era imenso. Com o passar dos anos, os bichos adotados iam se misturando aos filhotes que nasciam. Um mundo de gatos se formou, num pequeno pedaço de terra cercado por todos os lados pelo mundo dos humanos. Um dia, a velha senhora saiu de casa para fazer compras e demorou dois dias para voltar. Quando retornou, veio em companhia de uma mulher negra e dois homens vestidos de branco. Ela já não andava mais com as próprias pernas e sim com uma cadeira com rodas. Os gatos de assustaram, correram e se esconderam. Os dois homens foram embora, mas a mulher ficou. Com o passar dos dias, os gatos notaram que sua dona não mais se mexia. Além disso, perceberam que a mulher negra tomava conta dela. Tendo a certeza de quê a mulher não representava ameaça, eles começaram a deixar seus esconderijos. No início, a mulher se assustou, mas logo percebeu que os animais eram inofensivos. Vendo que estavam com fome, ela passou a alimentá-los. Também tinha simpatia por gatos. Mas mesmo voltando a comer e a retomar a vida dentro do casarão, os gatos estavam tristes. Não tinham mais sua dona como antigamente. Não tinham mais seus risos altos e suas carícias. Ela também não falava mais com eles. A mulher negra tentava conversar, mas eles não a entendiam. Sua voz soava estranho, como uma língua estrangeira que confundia os ouvidos. Era assim com todos os humanos, menos com a velha senhora. Então um dos gatos teve uma idéia. O preto, o maior de todos, o líder. Chamado de Ébano, por sua dona. Ele pediria autorização à Bast, Deusa dos gatos, e assim conseguiriam falar com a mulher negra. E lhe perguntariam o que houve com sua amada protetora. Naquela noite os gatos se reuniram no quintal e fizeram um grande círculo. Camundongos, baratas e filhotes de pardais foram oferecidos em sacrifícios, e então, a permissão foi concedida. Mas Ébano não havia só pedido para falar com ela e sim para que eles de alguma maneira pudessem recompensar todo o carinho que havia recebido naqueles anos. Bast achou justo e também consentiu tal poder para isso. A mulher negra estava sentada em uma cadeira de balanço, ao lado da cama onde dormia a velha senhora, quando os gatos chegaram. A mulher se assustou e ficou imobilizada na cadeira. Ébano então deu um passo a frente. “Boa noite, senhora de branco. Peço licença para falar”, disse ele. A mulher estava com medo, seus olhos não negavam. Mas não se desesperou por um instante. Talvez fosse pela calma que sua profissão exigia, que ela controlou-se. - Vocês falam? – Perguntou ela. - Com os humanos, só essa noite. Uma dádiva do nosso Deus. Conte-nos porquê nossa dona está assim. - Ela sofreu um derrame. É um tipo de doença. - Ela nos ouve agora, bela dama? - Não. Ela não ouve mais, não enxerga e nem fala. - Como pode alguém viver assim, bela dama? - Não pode, gato. É um inferno. - Seu Deus devia ser mais bondoso com seus filhos. Bast não faria isso conosco, ela nos deu sete vidas. O grande gato negro se aproximou ainda mais da mulher negra, mas dessa vez ela não se assustou. - Essa mulher foi a única humana que não nos tratou como simples animais. Ela merece o nosso sacrifício. E então com um rápido salto subiu na cama e a fez de palanque para que seus irmão gatos o ouvissem. E começou o discurso: - Se minha senhora não enxerga, então serei seus olhos. Então, Aquiles, um siamês magro, aproximou-se. - Se minha senhora não ouve, então serei seus ouvidos. Zara, uma persa, falou para todos: - Se minha senhora não fala, então serei sua boca. Então Bast atendeu o pedido dos gatos. A mulher negra sumiu sem que notassem, mas eles teriam agradecido a ela por muito tempo. “Estou de volta, meus queridos”, disse a velha senhora, através da boca de Zara. E com os olhos de Ébano, ela viu seus gatos sorrirem. Miados altos que ela voltou a ouvir, através de Aquiles. Zara sorriu por ela. Sua risada era a mesma. Doce e suave. E os gatos festejaram naquela noite.
Escrito por Geraldo de Fraga às 15h25
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Tarantino's Cartoons
Reservoir Dogs 
Pulp Fiction 
Escrito por Geraldo de Fraga às 15h55
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Diálogos (3)
- Então, você realmente conseguiu? – perguntou o anjo, se aproximando da macieira. - Mais ou menos – respondeu a serpente, enrolada no tronco da árvore. - Como assim? Ele os expulsou – disse o anjo, mostrando todos os dentes em um largo sorriso. - Sim, realmente ele fez isso – falou a serpente, se esgueirando para um galho um pouco mais acima. – Mas nossa intenção não era só essa, não? Nós queríamos que ele os odiasse. - Mas ele os odeia, agora. Ou não os teria expulsado – retrucou o anjo, levantado vôo até a altura da serpente. - Não, meu jovem Heilel Ben-shachar. Ele não os odeia. Foi um castigo severo, devo concordar, mas ele ainda os ama – disse a serpente. - Então fracassamos, Nachash – falou o anjo, planando de volta ao chão, cabisbaixo. - Por enquanto – disse a serpente. – Vamos esperar outra oportunidade. - Eu aguardarei ansioso – revelou o anjo. - Terias mesmo coragem? - Claro. Tenho conspirado e já consegui alguns aliados. - Que assim seja, jovem arcanjo – falou a serpente, subindo mais ainda, até desaparecer na copa da árvore. - Assim será – respondeu o anjo, batendo as asas e subindo.
Escrito por Geraldo de Fraga às 01h44
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Diálogos (2)
- Minha filha passou no vestibular – disse a mulher gorda, olhando para Bruno. - Que bom – respondeu ele, sorrindo, fingindo não odiar conversas em filas. - Ta chovendo muito esses dias. Li que é por causa do aquecimento global – comentou um senhor de terno. - Meu Deus a novela ta começando muito tarde. Toda vez, eu durmo. Você ta assistindo, meu filho? – perguntou uma senhora de cabelos brancos. - Não, senhora – respondeu Bruno, olhando para o relógio, já impaciente. - Minha filha é muito inteligente. Fez pra medicina – falou a mulher gorda. - Com essa chuva, o gasto com energia é bem maior. Todo mundo só quer tomar banho quente – comentou o senhor de terno. - Como é o nome daquela atriz da novela? Aquela casada com o jogador de futebol? – perguntou a senhora de cabelos brancos. - Não sei – respondeu Bruno, coçando a cabeça compulsivamente. - Próximo – gritou o caixa 2, fazendo um sinal para a mulher gorda. - Aquela, meu filho, que tava na novela de antes também – insistiu a senhora de cabelos brancos. - Não sei, senhora – disse Bruno, coçando o pescoço. - A conta de luz da minha casa aumenta todo mês. A televisão fica ligada o dia todo. É novela, filme, futebol – comentou o velho de terno. - Próximo – gritou o caixa 3, chamando o senhor de terno. - Toda vez eu esqueço o nome dela. Ela fez uma novela onde ela tinha uma irmã gêmea. Como era o nome daquela novela que tinha Tarcísio Meira? - Não sei, senhora – respondeu Bruno, respirando fundo e colocando as mãos nos bolsos. - Próximo – gritou o caixa 1, acenando para a senhora de cabelos brancos. - Próximo – gritou o caixa 4, olhando para Bruno. - Ô povo pra falar, viu? E olhe que eu não puxei assunto com nenhum deles – disse Bruno ao caixa, enquanto passava o boleto por baixo do vidro da bancada. - Sinto muito, mas isso aqui não paga em banco. Só em casa lotérica – disse o caixa, com um sorriso amarelo. - Puta que pariu – praguejou Bruno.
Escrito por Geraldo de Fraga às 16h52
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Diálogos 1
– Não vai abrir a porta pra mim? – perguntou ela, ao lado do carro. Usava um vestido azul. – Está quebrada. Só abre por dentro – respondeu ele. – Então, o que você está esperando? Entre primeiro e depois abra – disse ela. Só então notou como ele era bonito. – Não posso. Tranquei o carro com a chave dentro. – Que estupidez. O que eu vou fazer agora? – Pode começar me dizendo seu nome. – Como assim? – perguntou ela. – Meu nome é Carla. Carla Gurgel, acompanhante. Não foi você quem ligou pra mim? – Na verdade liguei para Agenor. Agenor da Silva, chaveiro – respondeu, sorrindo. – Ah, foi mal. Vi você parado aqui e pensei que era meu cliente – falou ela, ficando vermelha. – Não. Mas se eu fosse, tenha certeza que eu abriria a porta pra você. – Você é muito gentil. – Tem um cara naquele carro ali olhando para cá. Deve ser o seu cliente – ele apontou para o outro lado da rua. – É deve ser. Tchau. – Tchau, Carla. – Você é Roberto? Que trancou o carro com a chave dentro? – perguntou um sujeito gordo e careca. – Você é Agenor, o chaveiro? – Perguntei primeiro – o gordo cuspiu no chão. Usava uma camisa curta que deixava a barriga aparecendo. – Sim, Roberto sou eu. – Custou 30 reais – Disse Agenor, após destrancar a porta do carro com uma chave mestra. – Caro, não? – ironizou Roberto. – Devia ter pensado nisso antes de deixar a chave lá dentro. – Como eu poderia. Foi sem querer. – Eu sei – disse Agenor, antes de ir embora. – Você pode abrir a porta pra mim agora? – perguntou Carla, assim que chegou. – O que aconteceu com seu cliente? – Ele não quis abrir a porta pra mim. – Eu abro – disse Roberto. – Passa a chave do carro, porra – falou um cara com um revólver. – Passa também a carteira e o celular. – A moça passa a bolsa. – Ainda bem que eu tenho seguro – disse Roberto, depois que o ladrão dobrou a esquina. – Meu deus, como eu fiquei nervosa. Esse bairro está muito violento. Vamos até meu apartamento? – Sim. – Porra. A chave estava dentro da minha bolsa e eu não tenho uma reserva – disse ela, quando chegaram na porta do prédio. – Posso ligar pro seu amigo chaveiro. – O número estava no meu celular. O ladrão levou. – Quer beber alguma coisa? – perguntou ela, após um longo suspiro. – Só se você pagar. O ladrão levou minha carteira. – Meu dinheiro tava na bolsa. Mas tem um bar ali que eu tenho "fiado". – Então vamos.
Escrito por Geraldo de Fraga às 18h26
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Prioridades em uma mesa de bar
Sexta-feira passada, em um boteco chamado carinhosamente de "frontal", pois fica exatamente em frente ao chinfroso BAR CENTRAL (reduto de artistas e jornalistas). Duas mesas. Uma com três mulheres, outra com três marmanjos. As garotas conversavam sobre relacionamentos. Falavam bem dos namorados novos e mal dos antigos. Na outra mesa, eu, Lula Faine e Flavão discutíamos sobre quadrinhos, literatura fantástica, filmes baseados em quadrinhos, mais quadrinhos e rock. É... as garotas amadurecem mais cedo!
Escrito por Geraldo de Fraga às 23h56
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Venha para o lado negro da força!

Escrito por Geraldo de Fraga às 13h18
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Zippo do Hellboy

Escrito por Geraldo de Fraga às 17h44
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Who Watch the Peanuts?
A arte é do artista Evan Shaner!

Escrito por Geraldo de Fraga às 16h57
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Escrito por Geraldo de Fraga às 15h43
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