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BRASIL, Nordeste, RECIFE, CASA AMARELA, Homem, de 26 a 35 anos



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Infernorama
 


Adios

Minha paciência com o UOL Blog foi para o espaço. O Infernorama se mudou para:

 

www.infernorama.wordpress.com




Escrito por Geraldo de Fraga às 14h06
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Gifs Cinematográficos

Gifs Cinematográficos que eu peguei no www.doutorcaligari.com

 

 

 

 

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 16h07
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Livro Novo

 

Malassombramentos: Os Arquivos Secretos d’O Recife Assombrado

 

Jornalistas lançam livro que reúne contos e pesquisas sobre histórias fantasmagóricas do Recife

 

Durante a viagem de ônibus, uma passageira idosa desaparece no ar. Moradores do bairro se escondem de uma criatura peluda que corre pelas vielas escuras. O espectro de uma bailarina surge dançando no palco do antigo teatro numa noite sem espetáculo. Nas ruas do Centro, um rapaz é perseguido por um zumbi vestido como um velho boêmio. Cenas improváveis e apavorantes que estão no livro Malassombramentos: Os Arquivos Secretos d’O Recife Assombrado, que será lançado neste domingo, dia 29 de agosto, na Festa do Livro – a partir das 14h30, no stand das Edições Bagaço montado na Praça do Arsenal, Bairro do Recife.

 

São quatorze histórias baseadas em lendas e casos de assombração típicos da capital pernambucana. As narrativas, cheias de mistério e suspense, foram escritas para provocar calafrios nos leitores, embora algumas tragam uma pitada de humor. Das páginas surgem personagens medonhos como fantasmas e almas-penadas, além de seres míticos bem conhecidos dos recifenses: o Lobisomem, o Papa-figo, a Emparedada da Rua Nova, a Perna Cabeluda e a Comadre Fulozinha.

 

A leitura vai agradar (e apavorar) todos os que sentem atração pela literatura fantástica. Para o público jovem, Malassombramentos... é a chance de descobrir que nas trevas da imaginação não existem só vampiros: monstros e assombrações ainda mais terríveis podem estar muito mais perto do que se imagina! Os capítulos são acompanhados de textos curtos que explicam a origem dos personagens medonhos retratados nos contos. Esses verbetes são um resumo de uma ampla pesquisa feita para o site O Recife Assombrado, que estreou na internet em 2000 com o objetivo de resgatar e preservar o imaginário da cidade.  O projeto revelou segredos sobrenaturais que persistem no Recife contemporâneo, feito de prédios altos e amplas avenidas.

 

A publicação de 145 páginas foi editada pelo jornalista Roberto Beltrão, que dividiu a produção dos textos com os também jornalistas Jaqueline Couto e Geraldo de Fraga. Ainda colaboraram o maestro (e pesquisador) Sérgio Barza e o músico André Balaio. Os desenhos em preto e branco que ilustram os capítulos são do artista plástico Fábio Rafael.

 

Lançamento: Malassombramentos: Os Arquivos Secretos d’O Recife Assombrado

Onde: Stand das Edições Bagaço na Festa do Livro–Praça do Arsenal, B. do Recife

Quando: Domingo, 29 de agosto de 2010 – a partir das 14h30

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 18h15
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Livro Novo



Escrito por Geraldo de Fraga às 18h27
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Livro Novo

Por esses dias, será lançado o livro que comemora os 10 anos d'O Recife Assombrado.

Os textos ficaram a cargo de Geraldo de Fraga, Jaqueline Couto e Roberto Beltrão.

As ilustrações são do artista plástico Fábio Rafael. Segue abaixo algumas delas para dar um gostinho.

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 12h50
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Livro

 

Pra quem não sabe em junho do ano passado eu lancei um livro chamado “Histórias que nos Sangram” (Editora Multifoco). A proposta do livro é dar novas versões das lendas do Recife associando com o período histórico em que surgiram. Para isso eu citei vários fatos da história da cidade nos sete contos que integram o livro. Alguns leitores passaram batidos em alguns fatos e outros nem se ligaram. Como essas informações são de vital importância para se entender totalmente as histórias eu resolvi fazer um pequeno Glossário, explicando algumas coisas do livro.

 

Glossário – Histórias que nos Sangram

 

Sua Cabeça Como um Troféu

 

Pág. 16 e 17

A cabeça a qual Lima se refere é de Zumbi dos Palmares. Zumbi foi morto em 20 de novembro de 1694, teve a cabeça cortada, salgada e levada, com o pênis dentro da boca, ao governador Melo e Castro. Em Recife, a cabeça foi exposta no pátio do Carmo, visando desmentir a crença da população sobre a lenda da sua imortalidade.

 

Pág. 20

O Mal da Bicha citado foi a primeira manifestação de febre amarela no Brasil. Começou no porto do Recife em 1685.

 

Quem Ama Não Tem Coração

 

Pág. 35

Lugarú é um termo que é uma corruptela da palavra francesa loup-garou. Essa lenda se estende pelas ilhas do Caribe. Dizem que para prevenir que o lugarú entre ou saia de um local é só colocar areia na porta. E que se algum bruxo jogar um feitiço nele e matar um cão, ele é obrigada a contar todos os pelos do animal.

 

Alamoa é descrita como um duende feminino que aparece principalmente na ilha Fernando de Noronha. É uma mulher branca, loura, nua, tentando os pescadores ou caminhantes retardados. Transforma-se num esqueleto, enlouquecendo o enamorado que a seguiu.

 

Pág. 37

A “sedição” a qual a mulher se refere é a Guerra dos Mascates. Na época em que se passa a história tal evento ainda não tinha essa dominação, era apenas chamado de sedição. A guerra só começou a ser chamada por esse nome em 1873, quando foi publicado o livro “A Guerra dos Mascates” de José de Alencar.

 

Os Dentes Dos Mortos

 

Obs: Essa história é baseada na lenda do fantasma conhecido como Boca de Ouro.

 

Pág. 42

A Casa dos Expostos era um abrigo para jovens de rua, fundado em 1789, e que ficava na rua da Roda, centro do Recife.

 

Pág. 43

Beco do Tambiá era onde funcionava o baixo meretrício da cidade na época em que se passa a história. Ficava onde hoje é a Manoel Borba.

 

Pág. 45

O cemitério dos estrangeiros em questão é o cemitério dos ingleses.

 

Pág. 47

O Lazareto de Santo Amaro era o local onde ficavam de quarentena os escravos recém-chegados da África.

 

Pág. 48

A revolução citada é a Revolução Pernambucana de 1817.

 

Pág. 53

A construção de pedra citada é onde fica a Cruz do Patrão.

 

Onde As Almas Esperam Sua Vez

 

Pág. 56

A frase citada por Assis era o grito de guerra dos amotinados da Setembrizada. “Fora os colunas! Fora o castigo de espada! Fora o brigadeiro! Fora os marinheiros! Viva o Sr. D. Pedro Segundo! Vivam os brasileiros!”

 

Pág. 62

O massacre citado na conversa entre Padre Alfredo e Adelaide, e que permeia toda a história, é conhecido como A Setembrizada. Tropas militares amotinadas em favor de D. Pedro II estavam fazendo arruaça na cidade e houve uma reação deixando um saldo de muitos mortos. Os cadáveres foram levados para as terras do Modengo, onde hoje fica a praça Chora Menino.

 

Pág. 68

A frase: “Tem cautela, Rego. Não passes do Mondego”, dita por Assis, é um fato histórico do local. Essa frase foi escrita em um muro em 1817 para avisar ao então governador de Pernambuco, Luís do Rego Barreto, que ele sofreria um atentado no Modengo.

 

Eu Levo Comigo Apenas o Que Mereço

 

Pág. 73

 

Os Lunas citados no início da história e o fato deles terem morado no Sobrado Estrela atrás de uma botija de ouro são verídicos.

 

Pág. 74

Na segunda metade do século 19, houve uma epidemia de cólera-morbo em Recife que durou 7 anos.

 

Fome

 

Pág. 88

O Doutor Dornela existiu de verdade. Era um grande médico, mas pelo fato de ser negro, era desprezado pelas pessoas da alta sociedade.

 

A Lua Cobra Seu Preço

 

Pág. 104

O bacharelzinho citado por Firmino foi um homem que morou no bairro do Poço da Panela. Devido a sua palidez, por conta de uma grave anemia, a população local dizia que ele era um lobisomem.

 

A mulher negra citada por Cícero também é uma antiga moradora do Poço da Panela, chamada de Josefina Minha Fé, e que contava ter sido vítima de um ataque de Lobisomem pelas ruas do bairro, certa vez.

 

Observação final:

A foto que ilustra a capa do livro é de um prédio ao lado do Burburinho. Os boêmios que passarem por lá podem dar uma olhada.

 

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 16h49
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Crônica

É nós, maluco!

 

Uma poesia de Jessier Quirino, da qual não me recordo o título, diz que toda cidade de interior tem um “doido pra os meninos jogarem pedras”. Assim também acontece, nos bairros do Recife. Garanto que todo mundo conhece ou conheceu um maluco que andava pelas redondezas de suas casas. Em Casa Amarela, não me lembro de nenhum doido no qual a gurizada jogasse pedra, mas conheci um que jogava pedra nas crianças. Não dizem que doido, doido mesmo, é aquele que come merda, rasga dinheiro e joga pedra? Quanto a comer merda e rasgar grana eu não sei, mas jogar pedra era com um gordinho conhecido como “Pá”. Vez por outra, ele aparecia. Usava calça jeans, camiseta branca, uma mochila velha pendurada na frente, e um capacete de operário. Até hoje o capacete é um mistério. O gordo até que era tranqüilo, quando não o incomodavam. Ele caminhava a passos lentos e de cabeça baixa, sem mexer com ninguém. Mas era só algum maloqueiro gritar a frase “Pá, mataram Batman”, que o gordo virava bicho. Aí, era só correr por que o que ele visse de tijolo e pedregulho na frente e jogar no povo. E não queria nem saber se tinha carro na rua, criança e idoso passando. Afinal, o cara era doido, porra. Até hoje, ninguém nunca me explicou por que a simples menção da morte do homem morcego deixava o gordo uma fera.

Outro famoso, e que ainda perambula pelas ruas de Casa Amarela, é uma figura já idosa chamada de “Caga na Lata”. Idoso, mas não menos hostil. Chamá-lo por esse nome, desencadeia uma fúria animalesca no coroa. Esse, eu fiquei sabendo que ganhou a alcunha após ser flagrado defecando em uma lata de Nestom. Não sei por que ele escolheu tal artefato como vaso sanitário e, sinceramente, não faço questão de tomar conhecimento. Mas “Caga na Lata” agora tem uma vida tranqüila, pois a molecada de hoje não sabe que ele carrega essa sina ser o doido que se estressa com o apelido. Só quem sabe dessa história é a galera da minha época e, felizmente, ninguém na faixa dos 30 anos vai se passar a ficar chamando ninguém de “Caga na Lata” no meio da rua. Por isso, ele vive hoje tranquilamente, passando de um lado para o outro com suas sacolas de plástico que ninguém nunca soube o que tem dentro.

Casa Amarela sempre teve um elenco considerável de malucos, na maioria alcoólatras que perderam a consciência por causa da bebida. Mas todos eles ficavam putos ao serem chamados por seus apelidos desagradáveis. Tinha o “Papa-Vento”, chamado assim por conta do nariz avantajado. Tinha o “Ceguinho”, que usava um enorme óculos fundo de garrafa e que repetia incansavelmente o slogan da Rádio Globo (Rádio Globo-bo-bo-bo). Tinha um que, não me recordo o nome, mas sempre que passava de bicicleta a galera pedia “Imita uma coruja”. Ele respondia: “Na Volta”, mas nunca imitava.

Só que o doido mais “maluco beleza” que já passou por Casa Amarela foi a figura histórica “Marco Doido”. Roqueiro, skatista, surfista, maconheiro e evangélico. Tudo isso reunido em uma pessoa só. Apenas as histórias de Marco Doido dariam um post só para ele, por isso vou falar apenas de uma.

No Abril pro Rock de 1997, houve uma confusão após o show. Um som parecido com um tiro fez todo mundo sair correndo pra se esconder. Uma parte da galera se abrigou num quiosque da Skol. A senhora dona da barraca gritou para o povo ter cuidado, pois o freezer estava dando choque, então todo mundo, inclusive ela, ficou encolhido no canto do quiosque. Todos encostados um no outro. Eis que Marco Doido surge do nada, grita “rock n roll” e dá um verdadeiro “mosh” para dentro da barraca. Só que ele caiu com uma mão encostada no freezer e a outra em um dos caras que estava encolhido. Resultado: ele conduziu a corrente elétrica e todo mundo levou um choque do caralho. A velha quase morre por conta do choque.

E nessa mesma noite, a gente voltou a pé do Centro de Convenções, pois a grana não dava pra táxi e não havia mais ônibus. Pois Marco Doido fez o percurso Complexo Salgadinho – Casa Amarela inteiro repetindo incessantemente a frase “Feijão, Arroz, Macarrão e Carne”. Por que ninguém sabe, e eu acho que nem ele poderia explicar, mas esse fato irritou todo mundo. Marco Doido morreu em 1999, mas é sempre lembrado nas conversas de mesa de bar.

 

ps: A idéia desse texto surgiu de uma conversa com a historiadora Cecília Menezes, que diz que não é louca, mas deve ser. Se não fosse, não teria vindo até aqui.

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 16h24
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Conto

Os Santos de Junho (3ª História)

E então Pedro contou sua história que se chamava:

 

Um dia de chuva em Cachoeira da Pedra

 

Choveu naquela noite como nunca havia chovido em Cachoeira da Pedra, diziam os mais velhos. Quando a água começou a cair, os sorrisos floriram nos rostos das crianças. O rio iria encher, a cachoeira iria “sangrar” e no dia seguinte, quando o sol voltasse a brilhar no vilarejo, elas se divertiriam tomando banho e pescando na cachoeira. Mas quando os trovões e raios chegaram, a alegria se transformou em medo.

Antônio correu até o celeiro para salvar o milho que havia armazenado em sacos, pela manhã. Os grãos estavam ensopados e os sacos pareciam pesar uma tonelada. Seu irmão mais novo veio em sua ajuda. Augusto arrastou dois sacos de uma só vez para fora da poça de lama. Era o mais forte dos três e o único que tinha nascido antes do tempo. O mais velho, Pedro, estava com tuberculose e vivia na casa da tia, isolado.

Com muito esforço conseguiram colocar o milho em um lugar seco e sentaram exaustos. Neste momento alguém montado em um cavalo passou em frente ao celeiro em disparada e sumiu na noite. O céu era vermelho sangue e a chuva era Deus chorando, diziam os mais velhos.

O cavaleiro passou pela mercearia de Tião. Alguns homens estavam lá, ilhados pela chuva. “Manoel”, gritou um deles, mas Manoel não ouviu. Só parou em frente à casa de Maria Luzia. Desceu de um pulo só e bateu à porta. A velha senhora surgiu com um lampião nas mãos. Estava vestida de branco, como sempre fazia quando ia realizar um parto. Manoel se admirou, mas não disse nada. Colocou-a no cavalo e seguiram juntos, dessa vez num ritmo bem menos intenso. Ele podia ouvir suas orações bem perto do seu ouvido. A velha tremia, e Manoel, de alguma forma, soube que não era de frio.

Chegaram na casa de Francisco. As portas estavam abertas e algumas mulheres que estavam no terraço correram para ajudar Maria a descer do cavalo. Ela enxugou o rosto com um pano que lhe deram e correu junto com as mulheres para dentro da casa. Se não fosse a chuva, os gritos de Teresa poderiam ser ouvidos por toda Cachoeira da Pedra. Manoel perguntou por Francisco. Uma das mulheres, Dora, disse que ele tinha ido até à igreja. Manoel suspirou e sentou-se num banco às margens do pequeno rio que se formara em frente ao terraço. E então, chorou. Teresa gritava cada vez mais alto. Pareciam que sua garganta iria se rasgar. A agonia durou quase meia hora, até ser interrompida por um choro alto e estridente. Dora correu para dentro da casa e quando voltou tocou no ombro de Manoel. “Sua irmã teve um menino”, disse ela.

-         Eu não tenho irmã. Esse menino não é meu sobrinho – afirmou Manoel.

Francisco estava possuído pelo demônio naquela noite, diziam os mais velhos. O padre Ernesto teve sua garganta cortada de uma ponta a outra com um facão cego. Sua barriga foi furada dezenas de vezes e suas orelhas arrancadas. Francisco sumiu. Dona Vera, que mora ao lado da igreja, diz que até hoje sonha com a risada dele. A risada se fez ouvir além da chuva e nesse dia os animais gritaram a noite inteira e no dia seguinte os que restaram vivos não quiseram comer.

Junto com a manhã veio o sol. Mas as crianças não foram para cachoeira, nem os adultos trabalharam. Manoel encarregou-se de enterrar padre Ernesto. Quando foi informada do quê tinha acontecido, Teresa negou-se a alimentar o menino e passou o dia chorando e arrancando tufos de cabelo. Alguns homens foram procurar Francisco, mas ninguém o encontrou.

Boatos foram espalhados durante todo o dia. Manoel decidiu reunir o povo do vilarejo na igreja e contar a verdade. Alguns não quiseram entrar na igreja onde um padre fora morto, mas a maioria esteve presente. O filho de Teresa era de padre Ernesto, por isso Francisco o matou.

À noite Teresa se matou com corte no pescoço. Manoel levou seu corpo embora numa carroça e também nunca mais foi visto. A casa onde morava com a irmã e o cunhado foi queimada algumas noites depois. Seu Paulino, homem mais velho do vilarejo, escreveu a história em um caderno de notas e colocou em uma gaveta onde guardava outras histórias de Cachoeira da Pedra.

Isso foi há trinta anos, mas parece que foi ontem, diziam os mais velhos.

Continua no post abaixo...



Escrito por Geraldo de Fraga às 15h52
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conto

- Tive medo – disse Antonio, roendo as unhas. – Você disse que não ia falar de chuvas, ia falar sobre os Portões.

- Mudei de idéia. Lembrei dessa história de última hora e preferi contar ela – respondeu Pedro.

- Foi uma boa história. Triste, é verdade, mas isso não muda o fato de ser boa. Uma história é boa por ser boa, não por ter final feliz – falou João.

- Obrigado, irmão – agradeceu Pedro.

- Bom, eu vou indo – disse João, se levantando.

- Vamos todos, não? – perguntou Pedro, acompanhando o irão.

- Eu não – sorriu Antonio. – Vou terminar de soltar minhas bombinhas sem Pedro para me encher o saco.

Pedro e João saíram caminhando e Antonio voltou para perto da fogueira.

- Vejo vocês ano que vem – gritou ele para os outros dois. E voltou a soltar bombinhas.



Escrito por Geraldo de Fraga às 15h50
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Conto

Os Santos de Junho (2ª História)

 

 

 

João começou a contar sua história que se chamava:

 

O Profeta da bacia sanitária

 

O grande problema das profecias é que elas nunca vêem de pessoas muito confiáveis. Fisicamente falando. Nunca acredite em uma profecia proferida por um cara que aparece na TV com o cabelo cortado e usando terno. Profetas são pessoas estranhas. Por esse motivo, Sebastião não acreditou que aquela frase dita a ele, naquela noite, fosse um aviso.

Era uma sexta-feira. Uma amiga comemorava o aniversário em um bar, e a garota loira que Sebastião gostava estava lá. Colheu informações e descobriu que ela estava solteira há uma semana. Era a chance dele. Observou a loira durante vários minutos e, quando ela ficou sozinha por um momento, sentou-se ao seu lado no balcão. A conversa fluiu naturalmente. Sebastião estava confiante na sua conquista. Tanto que ficou levando o papo na boa, sem mostrar muito interesse. Se fazendo de difícil. Então, em certo momento, ele pediu licença e foi até ao banheiro.

Não havia mictórios, apenas compartimentos com privadas. Sebastião escolheu um aleatoriamente e empurrou a porta. Mas o local estava ocupado. Havia um senhor de idade sentado no vaso sanitário com as calças arriadas. Instintivamente, Sebastião fechou a porta. Mas o velho colocou o pé e manteve a porta aberta. Sebastião olhou assustado. Ele usava longos cabelos brancos e uma barba enorme. Seus olhos estavam completamente brancos, como se estivesse em transe. O cheiro de merda era insuportável, então Sebastião tapou o nariz e se afastou. “Derramei-me como água, e todos os meus ossos se desconjuntaram; meu coração fez-se como cera, derreteu-se dentro de mim”, disse o velho. E então, fizeram-se alguns segundos de silêncio. Quebrado pelo som de algo caindo na água. Pelo barulho alto que fez, Sebastião achou que o velho tinha cagado um tijolo. Depois ele tirou o pé e fechou a porta, sozinho.

Sebastião saiu do banheiro transtornado, tanto pela visão assustadora como pelo cheiro. Correu para fora do bar, pois precisava urgente de ar puro. Havia, nas calçadas, algumas mesas. Um grupo de meninas começou a dar risadinhas, quando ele apareceu. Só então Sebastião notou um fato lamentável. Ele havia mijado nas calças. Desesperado, correu até umas das mesas e pegou um monte de guardanapos. Mas não adiantou muito, a mancha não secava.

Voltou para dentro do bar. Lá era um pouco escuro e ele achou que, talvez, a mancha de mijo em suas calças passaria despercebida. Antes de chegar ao balcão, teve outra decepção. Lá estava a loira, ao lado do ex-namorado. Os dois conversavam alegremente. Sebastião parou e ficou observando, sem saber o que fazer. Mas essa dúvida durou pouco tempo, já que logo em seguida os dois se beijaram.

Só então Sebastião entendeu a profecia do velho cagão. E foi pra casa.

 

Continua no post abaixo....

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 23h02
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Os três ficaram em silêncio durante alguns segundos.

- Isso não aconteceu de verdade, não é? – perguntou Pedro.

- Aconteceu sim. Foi em 1996 respondeu João.

- Já li essa frase em algum lugar – confessou Antonio.

- Claro que leu. É uma profecia do livro sagrado. Nosso irmão acabou de cometer uma heresia – irritou-se Pedro.

- Heresia nada. Isso aconteceu – defendeu-se João.

- E você também disse palavrão – acrescentou Antônio.

- Tá, vocês não gostaram da história. Por mim, tudo bem. Vamos continuar – disse João.

- Minha vez – disse Pedro, após limpar a garganta.

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 23h00
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Internet

Graças ao Twitter, troquei umas idéias com o autor de quadrinhos Steve Niles (30 Dias de Noite).

O rápido papo foi sobre o remake do filme sueco "Deixa Ela Entrar"!

Segue o momento de brodagem logo abaixo:

 

 

 

Resumo da Conversa:

SteveNiles: Saw the trailer for remake of "Let the Right One In". Looks fine, accurate. I'll give it this, it doesn't look like a shoddy remake.

geraldodefraga: @SteveNiles The remake of "Let the Right One In" have no reasons to existe. When the americans will learn read the subtitles?

SteveNiles: @geraldodefraga Agreed. I think a remake is unnecessary. The original is perfect.



Escrito por Geraldo de Fraga às 15h54
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Os Santos de Junho (1ª História)

 

 

Antonio começou a contar sua história que se chamava:

 

10 coisas pra fazer antes de morrer

 

O ventilador de teto fazia um barulho insuportável. Madalena ainda estava com sono, mas era quase impossível dormir com aquilo ligado. Acordou o cara ao lado da cama, com um empurrão. Ele cheirava a cerveja barata e creme de barbear, mas foi o mais bonito que encontrou. O cara despertou assustado e, ainda sonolento, disse quanto custou a noitada. Madalena pagou e pediu para que ela saísse:

- Quando vamos nos ver de novo? – perguntou ele.

- Nunca mais – respondeu ela, ríspida.

Ele riu, sem graça, vestiu-se e foi embora. Madalena acendeu um cigarro e ligou a tv. Ainda sobrara uma coca-cola no frigobar. Sentou-se na cama e tirou da bolsa um caderninho onde estava escrito na capa: “10 coisas pra fazer antes de morrer”. Com uma caneta riscou o item número 7: Dormir com um garoto de programa.

Eram 9 da manhã e Madalena partiria para realizar o item número 8. Desceu as escadas do motel e foi até a recepção. Pagou a conta e caminhou até o estacionamento. O garoto de programa estava encostado no seu carro. “Pensei se você podia me dar uma carona”, disse ele.

Madalena abriu o carro e tirou uma pistola do porta-luva. Apontou para o cara e piscou o olho. Ele entendeu o recado e se afastou. Então, ela entrou no carro e saiu.

Logo depois, o telefone tocou. Ela reconheceu o número, mas não quis atender. Só que o telefone não parava de tocar e ela sabia que a pessoa não ia desistir.

- Alô.

- Madalena, onde você está?

- O quê você quer, Gabriela?

- Quero falar com você. Você sumiu há dois dias.

- Não posso falar com você agora. Ligo depois.

Desligou o telefone. O próximo item da lista devia ser feito antes do almoço. Madalena acelerou.

A tatuagem poderia ser o primeiro item da lista, mas Madalena morria de medo de agulhas. Quando criança, ela escondeu várias vezes quando estava doente, para não tomar injeção.

- Conheço esse desenho – disse o tatuador.

- Uma amiga minha desenhou – falou Madalena.

Ela já tinha ouvido falar que no ombro não doía, mas doeu. Pensou em pedir para ele parar por alguns minutos, mas não. Não havia tempo a perder.

Com o braço dolorido, ela dirigiu lentamente até um restaurante. Sentou-se, fez o pedido e riscou o número 8 (a tatuagem) da lista. A comida chegou e ficou esfriando em cima da mesa. Ela não tinha fome. Apenas “beliscou” parte da salada e bebeu a soda diet.

No caminho para o item número 9, e também o de número 10, o telefone tocou de novo. Dessa vez não era Gabriela.

- Oi meu amor – disse ela.

- Oi – respondeu a voz do outro lado da linha. – Está tudo bem?

- Sim. Estou indo para lá.

- Eu te amo.

- Também te amo – respondeu Madalena. E, então, acelerou o carro.

Ela chegou ao destino planejado em 25 minutos. Um casebre na beira da estrada, pouco após o fim da área urbana da cidade. Ela estacionou o carro na área da frente e caminhou em direção à porta, empunhando uma adaga.

Assim que entrou, encontrou uma velha senhora sentada em uma cadeira de balanço.

- Está atrasada – disse ela.

- Sabe o que eu vim fazer aqui? – perguntou Madalena, chorando.

- Claro, minha flor – respondeu a velha. – E não chore por mim. Acredite, já vivi o bastante. Mais do que eu gostaria. Seja rápida. Apenas seja rápida – pediu.

A velha fechou os olhos e sorriu. Madalena avançou com a adaga e cortou a garganta da velha. Quase uma decapitação. Um corte rápido e sincero. Quando o sangue começou a escorrer, Madalena passou a mão no pescoço da velha e lambeu os dedos. O gosto era adocicado e deixou sua língua dormente.

E então, ela puxou a lista do bolso da calça. Não era preciso riscar os itens 9 e 10. As tarefas haviam terminado. 9: Matar a velha, 10: Beber seu sangue. Ela acendeu um cigarro e com o fósforo tocou fogo no papel.

Alice entrou na casa cantarolando uma canção em uma língua que Madalena não conhecia.

- Era a canção preferida dela – falou a garota, enquanto caminhava em direção à velha. Depois, parou ao seu lado e acariciou seus cabelos brancos. – Minha doce Francisca. Descanse em paz.

- O sangue dela é doce e me deixou meio chapada – disse Madalena sorrindo. O sangue escorria pelo seu queixo.

Alice se aproximou dela e lentamente levantou sua blusa. Lá estava o pentagrama tatuado no ombro. Alice sorriu, beijou os seios da mulher amada e disse: Eu te amo, Madalena. E as duas fizeram amor no chão da sala, enquanto todos os espíritos assistiam.

 

Continua no post abaixo...

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 21h27
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Conto

- Eca – exclamou Pedro – Eu odeio quando você fala dessas bruxas lésbicas

- Você é muito chato. Pediram uma história de amor, eu contei uma história de amor. Qual o problema se foi sobre duas mulheres? – defendeu-se Antônio.

- Duas bruxas – esbravejou Pedro.

- Ora, bruxas não são pessoas más. Você estava lá quando queimaram aquelas mulheres, sabe que foi injustiça – disse Antônio.

- Não gosto de bruxas e ponto final. Além do mais, você poderia contar uma história com personagens cristãs – sentenciou Pedro, fechando a cara.

- Eu conto o que eu quiser – irritou-se Antônio.

- Vocês podiam parar de brigar? – interferiu João. – Além do mais é minha vez de falar.

- Tudo bem - falou pedro - Profetize Irmão.

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 21h23
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Conto

 

Os Santos de Junho

 

Antônio estava soltando bombinhas ao lado de uma fogueira, que ele usava para acender os fogos. O som das bombinhas explodindo estava deixando Pedro irritado e nervoso.

- Por tudo que há de mais sagrado, pare com esse maldito barulho – gritou ele, afinal.

- Você não manda em mim – disse Antônio, lhe mostrando a língua.

- Se você não parar com isso agora mesmo, eu vou fazer você engolir um desses tocos em brasa – ameaçou Pedro.

- Tudo bem – rendeu-se Antônio. – Você sabe ser estúpido quando quer, hein?

- Eu não seria estúpido se você parasse de agir como criança.

Antônio caminhou até ele e sentou-se ao seu lado no banco. A praça estava lotada. Havia fogueiras espalhadas por várias e várias ruas. Música saía de dentro das casas das pessoas. Não só música, mas o cheiro de comidas feitas com milho. Crianças se divertiam com suas bombinhas e os adultos dançavam.

- Eu gostei daqui – disse Antônio.

- Tirando esses malditos fogos, eu também – admitiu Pedro.

- Antigamente você gostava de fogos.

- Não. Antigamente eu tolerava, mas depois de tantos anos minha paciência se esgotou com essa zoada desgraçada.

Um balão subiu no céu e os dois ficaram olhando.

- Já sabe que história vai contar hoje? – perguntou Pedro.

- Sei sim. Você não?

- Estou em dúvida entre duas.

- Então escolha logo. Lembre-se que sempre é você que começa.

- Tudo bem. As duas histórias são boas. Qualquer uma que eu conte vai agradar.

- É sobre amor? – perguntou Pedro.

- Como sempre – disse Antônio sorrindo. – Você vai contar uma de pescador?

- Muito engraçado – respondeu Pedro, erguendo a sobrancelha. – Se você quiser posso contar uma sobre chuva. Quer?

Antônio sorriu.

- Conte uma sobre morte. São as suas melhores – disse ele.

- São mesmo – afirmou Pedro, orgulhoso.

- Não acho que sejam as melhores – opinou uma voz grave que chegava por trás do banco da praça. Os dois se viraram. Eles conheciam bem aquela voz.

João passou pelo lado esquerdo do banco, empurrou Antônio para o meio e sentou-se na ponta.

- Conte uma sobre o Céu. Sobre os portões – pediu ele.

- Tudo bem – concordou Pedro. – Você falará sobre profecias?

João assentiu com a cabeça. Depois pigarreou e disse:

- Vamos começar. Antônio você é o primeiro.

 

 



Escrito por Geraldo de Fraga às 20h36
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